Ele beijava-a enquanto abriam a porta. Depois do beijo, desviaram a cara, sem afastar a cintura, para a valiar o quarto.Pinturas a fresco no tecto e paredes, tapetes, camam com roupa branca...
A luxúria não queria espera.
O quarto olhou-os, triste e resignado. Sempre o mesmo baile, corpos iguais, caras diferentes.
Nenhum deles reparou nas núvens pintadas nas paredes, no sol à volta do candeeiro, no pequeno balão que fugia à menina, junto à janela.
Quando finalmente apagavam a luz, esperava um pouco pelo silêncio.
Agora podia recordar a Inês, de olhos arregalados a descobrir o quarto renovado, cada pormenor das pinturas, cada folho das cortinas floridas, da colcha de algodão, das folhas que rodeavam a lâmpada do candeeiro.
O quarto idolatrara aquela menina de olhos verdes, tranças verdes e sardas.
O pai médico protegia-a, cobria-a de mimos e carícias. dada dia , um doce; cada semana um brinquedo novo; aulas de piano e lavores.
Como o tempo passa...
Inês deve estar sentada, nos seus cinquenta anos, de beata a queimar-lhe os lábios, olhos verdes semicerrados pelo fumo.
O dinheiro dos pais não durara para sempre.
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